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terça-feira, 15 de julho de 2014

Capítulo 125: Ciúmes (Se eu não tiver você) – 4ª Temporada, Parte II


As coisas do amor são estranhas, quem vai entender? Hora estamos bem, ora não; e ora brigamos, mas depois ficamos bem de novo tudo porque amamos. Vamos do ridículo ao fofo. O engraçado e que não queremos viver longe dessa montanha russa de altos e baixos. E aprendemos muito com isso tudo.
Hoje pela manhã enquanto eu caminhava pelas ruas com meu noivo, um cara me “comeu” com os olhos de cima a baixo. Eu disfarcei e fiz que não o vi, lógico... Mas de repente me deu uma bobeira e eu comecei a rir.  Ele havia percebido o que o cara fez, e logo tratou de encarar o malandro com a pior das caras que só ele sabia fazer. O “fulano” passou do lado dele, mas ele me afastou pra quase fora da calçado, como se o cara fosse pegar. E eu ri ao achar fofo quanto aos ciúmes dele. Lógico que ele não gostou nem um pouco dessa minha atitude. Olhou-me bravo e disse:
– Você está rindo?  Porque está rindo? Gostou? Não só pode ter gostado né, porque esta aí rindo.
E quanto mais ele falava, mais eu ria, porque era uma mistura de nervoso com achar engraçada a situação.
– Amor o que eu fiz? To rindo d e bobeira, não fiz nada, nem olhei pra ele. – e continuei rindo escondidinho.
– O que você fez? Você quase se jogou pra ele com esse seu sorriso.
E continuou brigando comigo baixinho na rua pra não chamar atenção. Ele é muito discreto, disso não posso reclamar. Às vezes falava um pouco alto, mas era só chamar atenção dele que ele maneirava no tom. Ele estava muito bravo, eu me disse:
– Quer saber vou pra casa, fica você ai, acabou o passeio pra mim.
Eu parando de ri disse:
– Amor para vai, volta aqui, vamos conversar vai. Volta pra perto de mim.
– Não tem conversa, em casa a gente se entende.
E fomos assim, ele bravo na frente caminhando feito soldado a marchar, batendo os pés, com a cara brava  e seus cabelos ao vento da tarde; e eu um pouco mais atrás, o contemplando. Tentando achar uma forma de mostrar pra ele que eu o amava, de pedir desculpas.
Não preciso dizer que ele ficou o dia todo emburrado comigo, não é mesmo? Sentou na frente da TV e não saiu mais, olhos fixos, pensamento longe. O que será que ele pensava? Será que ele batia no malandro? Será que batia em mim? Não, acho que este não. Será que ele se sentia pequeno? Não sei o que ele pensava ou sentia, só sei que ele mal piscava. Eu passei algumas vezes na frente da TV pra ver se o olhar dele se voltava pra mim, para tentar um dialogo, mas ele calado e com os olhos fixo, todo estirado no sofá, não disse absolutamente nada. Sua cara estava péssima, mas seu olhar triste.
Estávamos sós em casa, meus pais estavam viajando. Eu cheguei por traz do sofá e disse:
– Estou indo dormir, você vem?
– Já já eu vou, pode ir.
– Ok, não demora esta tarde, e amanhã você tem exames de rotina.
– Ok, eu sei.
Então eu o chamei:
– Cadu.
Ainda sem me olhar, com os olhos fixos na TV me respondeu  bravinho:
– O que?
– Me desculpe, eu amo você. Boa noite.
E sem olhar para traz, ainda assistindo a TV, ele não me retornou a saudação. Então me virei subi as escadas, por onde a luz da lua, que adentrava pelas janelas do alto, iluminava de azul e sombras escuras meu caminho.
Eu estava me sentindo péssimo também, culpado por rir.
Deitei-me e fiquei esperando por ele.
Ele não se demorou. Desligou a TV e logo subiu atrás de mim.
Eu estava de costas para a parte dele na cama, quando ele entrou no quarto e tirou a roupa pra dormi. Mesmo brigados, dormíamos nus. Acho que isso já era um habito nosso. Eu dei uma espiadela ao virar para traz e admirei aquela bunda linda dele. Todo nu, de costas pra mim. Como eu amava aquela bunda de pelos curtos, delicados, e de textura leve e quentinha.

Ele se deitou ao meu lado, calado, e fixou o olhar no teto.
Eu me virei e encarei o de frente. Ele fechou o olho. E eu continuei ali o olhando, neste momento ergui meu corpo de forma que meu rosto ficasse sobre o dele.
E o perguntei:
– E ai?
Ele deu um sorriso como não se segurasse, e sem abrir os olhos me perguntou:
– E ai o que?
– Vai continuar assim comigo? Já te pedi desculpas.
Então ele apenas abriu os olhos e fitou os meus. Vi seus olhos lacrimejar. E eu o disse assim:
– Poxa amor, fica assim não. Eu te amo muito, não cabe outro na minha vida além de você. Aquele cara, poxa, é um coitado sem respeito algum por nada e ninguém. Mais um destes que leva a vida com uma camisinha no bolso, porque tudo que ele fizer se resumira em cama e sexo. Superficial, não carrega nada em si, a não ser vários prazeres momentâneos, mas isso aqui, que eu e você estamos tendo agora. Isso ele não tem. E isso ele não pode tirar de nós. Deixa-o achar que isso é tudo, a melhor parte temos nós. E sabe qual é a minha melhor parte?
Ele ainda com o olhar fixo em mim, com as sobrancelhas me perguntou “qual?” E eu o respondi:

– Você é a minha melhor parte. E eu quero ser a sua. Porque eu sem você não vivo. Podem me oferecer tudo, mas tudo não significa nada se eu não tiver você. Acredita nisso?
Então ele me abraçou bem forte, chorou, e dizendo que me amava me beijou com tanto amor, que olhar algum, de homem algum na rua, pagaria.
E terminamos a nossa noite num “amorzinho gostoso”, como ele sempre chamava nosso “fazer amor”.




Continua no próximo Capítulo...

Som Tema deste Post
If I Ain't Got You - Alícia Keys
(tradução no próprio Clip)

Abraço a todos...





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terça-feira, 3 de junho de 2014

Capítulo 124: Onde tudo começa, se chama amor (4º Temporada – Parte I)


A noite estrela ilumina o nosso céu, salão cheio, mesas postas não tão próximas, tolhas beges sobrepostas de outras em vinho, pessoas bem arrumadas, luz mediana meio amareladas, sapato engraxado, cabelo penteado, me encontro sentado e ele se aproxima. Meu coração pode ouvir seus passos, seu par de sapatos de couro preto se aproxima, e pouco a pouco tudo fica claro: ele, o meu amor está perto. Olho pro lado e o vejo com um pequeno arranjo de flores na mão. Ele me sorri gentilmente, e eu o retribuo. 
Esta é nossa noite. Celebraremos o dia dos namorados, nosso amor, nossa união e nosso noivado. Estamos em um dos restaurantes GLS mais fino que já conheci. Valor na é importante quando tudo que importa está ali parado na sua frente te olhando com amor transbordante nos olhos.

Ele se senta, a felicidade está estampada na sua face e na minha. Seguro a sua mão, e ele aperta a minha. Conversamos sobre o nosso dia. Pouco a pouco vou me distraindo em seus gestos, sorriso e gargalhadas; estou e não estou prestando atenção nele. Meu Deus como eu amo este homem, como ele consegue me fazer feliz com coisas tão simples. Basta eu estar ao lado dele para estar feliz.

O nosso amor não é comum, eu sei. Pouco a pouco esta certeza me leva a pensamentos distantes de nós ali na mesa. Muitos não entendem como dois homens podem se amar, ainda mais nos tempos atuais, onde o sexo vem primeiro que tudo. Hoje muitos se conhecem na cama para depois descobrirem quem está por traz daquele ser humano. Se a foda é boa então querem se encontrar mais vezes, se apaixonam, se unem. Mas todo casal, homo ou hetero, sabe que sexo não é tudo, e muito menos suficiente para segurar uma relação. 

E pouco a pouco as pessoas vão se ferindo, vão se machucando, e o amor vai se esvaindo por uma fenda aberta por ambos. O que começa errado, termina errado. Minha mãe já me dizia, “amor de pica” bate e fica, mas sempre termina, não vinga. E pouco a pouco nos encontramos numa sociedade sexualizada demais. Liberdade, salve o prazer, que o amor venha depois! Depois a “gente vê se rola”, ou “o que rolar”. Este é o novo pensamento, o primitivo-contemporâneo. E pouco a pouco nos esvaziamos de amor e nos enchemos de prazer. Prazer que acaba, e então queremos buscar mais e mais, porém sempre vai acabar e nunca estaremos satisfeitos completamente. E sempre vamos buscar, tornando-se um vício. E onde fica o amor? Fica por dentro das calças?

Sexo não é errado, mas ele não é inicio de nada, é complemento. Assim como os complementos verbais ou nominais possuem lugar certo de entrar na construção frasal, assim também é com o sexo. Sexo por sexo fazemos com qualquer um, se seus valores permitir você fazer sexo sem amor.  Mas fazer sexo para conhecer ou encontrar um amor? Não, não é o caminho mais certo. Pode haver exceções, o mundo não é genérico, mas na maioria das vezes não dura. Quem busca amor, busca conhecer o humano primeiro, e não a cama dele.

Mas quem sou eu para falar, quando ninguém quer mais escutar? Sou apenas um sobrevivente do amor. E sou muito feliz e grato a Deus por ter encontrão uma alma tão gentil e cheia de amor. Não precisei buscar músculo, ou grandes belezas, apenas precisei amar aquele que me queria dar amor. E como isso é difícil hoje. O corpo fala mais alto que o coração. Somos um casal em extinção, eu sei. Talvez muito se pergunte: eles não podem se amar assim, amor como este não existe, são homens, o sexo faz parte de sua natureza, onde encontram tanto amor e romance assim?... Não sei a resposta, nem qual o segredo. Tudo que sei e que vivo um amor por inteiro, e um passo de cada vez, para que tudo seja sublime. Quando se cuida e planta essa semente com respeito, carinho, cuidado, amor; todo que se pode colher, são frutos disto tudo. E mesmo sendo raro o nosso amor, quero que o mundo saiba que é possível e que sou feliz. Feliz por ser amado e por permitir ser amado.

E então estamos novamente frente a frente, aos poucos retorno a mim, e vejo o tesouro que tenho a minha frente falando sem parar. Eu inclino a cabeça levemente para o lado para contemplá-lo mais um pouco. Então coloco meu dedo em seus lábios o silenciando. Ele interrompido, da um sorriso sem graça e me pergunta:
– O que foi amor?
– Nada, só queria te dizer que se suo que sou hoje, é porque você me amou e me ama. E que estou muito feliz de estar com você esta noite. Eu te amo muito!
– Ohw! Que isso. Eu te amo mais.rs

Então nos beijamos ali mesmo, um beijo doce, apaixonado. Um beijo longo e iluminado pelas luzes. Naquele instante ninguém mais importava a não ser ele e eu.

E foi assim que a minha temporada do amor começou antes de se tornar imortal.



Continua no próximo Capítulo...


Som Tema deste Post

When I Fall in Love
(By Celine Dion & Clive Griffin)

Quando eu me apaixonar
Será para sempre
Ou então eu nunca me apaixonarei
Em um mundo agitado como este
O amor se acaba antes de começar
E tantos beijos ao luar
Parecem esfriar ao calor do sol

Quando eu der meu coração
Será completamente
Ou eu nunca darei meu coração
E no momento
Eu posso sentir que
Você também se sente assim
É quando eu me apaixono por você




Reveja as temporadas anteriores, Clique AQUI.


Abraço a todos...





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