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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Capítulo 10 - Eu, Etiqueta



Etiquetas…

O mundo tem colocado etiquetas e rótulos nas pessoas. É assim que tem sido todos os dias. Num universo onde o consumismo e o capitalismo falam mais alto... É isso que prevalece.

Se você é do tipo que vive fazendo piada das coisas, então você é um palhaço ou um tipo de pessoa que não de deve levar a sério.
Se você anda desarrumado, é pobre ou desleixado.
Se você tem dificuldade de assimilar informações e até aprender, você é burro ou lerdo.
Se você mora numa casa grande, tem um carro e roupas da moda… você é rico, boy, mauricinho ou metido mesmo.
Se um menino é tímido ou gosta de arte então ele é gay.
Se você é todo social, despojado, joga futebol, tem coragem de fazer tudo que seus amigos machos te desafiam por causa de sua masculinidade… então você é homem.

Pensa que exagerei? Os rótulos e etiquetas são discretos.
Quando você vê, já ganhastes um.
O ruim é quando isso sai do plano normal e começa virara fonte de tormenta, humilhação etc.
O pior é que estas etiquetas modernas tem contribuído para o aumento da homofobia, intolerância, dos bullying e de outras tantas coisas banais.
E isso está presente dentro de alguns lares, escolas, igrejas e comunidades. Está no mundo.
Tudo isso só vai mudar, quando todos aceitarem que somos livres para sermos aquilo que acreditamos poder ser.

Porque é isso que você é:
“Você é aquilo que você decide ser, e não o que te determinaram a ser”.

Deixo como mensagem para refletir uma poesia: “Eu, Etiqueta

Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-lo por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer, principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar,
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo de outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mar artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu novo nome é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisificada.

(Poesia de: Carlos Drummond de Andrade)

Abraço a todos

BY ME S2

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Capítulo 9 – Gay não é humano? (GLEE – Furt)



Gente, confesso, que a emoção foi tanta que até chorei.

Obrigado equipe Glee!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Que delicadeza a do diretor da série Glee, ao fazer um capítulo dedicado ao jovem homosexual Kurt.

No capítulo de nome “Furt”, acompanhamos os preparativos para dois casamentos. Por isso, o amor esteve no ar na série. O pai de Kurt e a mãe de Finn finalmente decidiram se casar e formarem uma família. De outro lado, Sue descobriu que a melhor companhia para ela seria: ela mesma. E decidiu casar-se consigo mesma!

O pai de Kurt casa-se com a mãe de Finn. E Finn cheio de preconceito recusa-se a aceitar Kurt como irmão e defende-lo do bullying sofrido na escola por um machão que na verdade é um gay enrustido (como visto nos capítulos anteriores da série). È uma verdadeira mistura de amor, romantismo, preconceito, aceitação, família, solidão,  bullying, humanidade e musica.

E falando de casamento... Duvido que, quem assista a este capítulo, não sente vontade de casar... Eu senti... E se um dia for liberado quero uma entrada mágica e triunfal a estilo GLEE, a meu estilo também, pois sou muito criativo (modesto,kkk). Adoro esse tipo de coisa que os americanos são experts em fazer, transformando cerimônias normalmente épicas e tradicionais, em algo tão divertido.



Tudo isso nos faz pensar: Gay não é humano? Então porque ainda são massacrados como os escravos eram outrora? Porém hoje usam algemas invisíveis... E são açoitados de outras maneiras... E as férias se tornam mais profundas.

Por muitas vezes na escola fui posto de lado só porque eu era gay. Os meninos não me convidavam para sair, para se divertir com eles, não sentavam perto e nem faziam trabalho em grupo comigo... Salvo algumas exceções. Quem inventou que gay só quer a companhia de mulher? Tem uns que preferem, mas têm outros que não.

Sem contar os Bullying sofridos. Não, não me defendi por muito tempo, até tomar consciência dos meus direitos e reagir. Eu era uma criança e um adolescente se descobrindo. Como saber o que reivindicar. Nessas horas tudo que você sente é: solidão e tristeza.

É tão bom quando alguém te aceita como você é; e te trata como “um igual”, como gente, como ser humano. A gente se sente presente no local. Porque por muitas vezes nos sentimos distantes de tudo... Porque a sociedade não facilita podermos estar ali por inteiros. E nos colocam Etiquetas... Como de um produto. E por fim ganhamos rótulos. Oras... Sou gente! Minha etiqueta é a minha liberdade e meu respeito pela vida e pelo próximo.

Saibam héteros que lêem este blog, ter um amigo gay, não significa ser gay com ele; muito menos significará que ele irá gostar de você como um possível namoradinho. Não! Se você der a chance dele ser seu amigo, irá descobrir um colo (ou ombro) para toda hora. Um grande amigo. Falo por mim mesmo. Pode ser que um ou outro gay se apaixone? Pode!... Mas nada é regra, tudo é exceção. Quando deixamos as coisas claras, a amizade flui e os homens (heteros ou homosexuais) de valor vão sempre se respeitar. Porque no fundo todos querem ser felizes. Igual a você.

E que bela abordagem sobre a prática do Bullying (aqueles apelidinhos e piadinhas que ferem e humilham as pessoas e que é constituído como crime e poucos sabem). Em Glee, isso foi ganhando uma importância de conscientização séria. Em épocas onde somos bombardeados por notícias de ataques e violências contra gays; até de policiais... É interessante notar que uma série de televisão de apelo mundial fale tão abertamente sobre preconceito, bullying e desejos reprimidos. Quantos Kurts não existem pelo mundo e podem ver-se retratados na vida do personagem? O tema ainda continua na série, uma vez que o aluno acusado de bullying volta à escola depois de ter sido expulso.

Vamos denunciar essas práticas maldosas e irracionais... Isso sim é o retrato de serem que não são humanos!

Não tenho dúvida que Furt é um dos melhores episódios inesquecíveis da série GLEE, daqueles que nos tocam lá dentro sabe. E tocam heteros também, até quando há o casamento... Que casamento Lindo!

Eu amo e indico sempre esta série. Assistam!

A série bateu o Record dos beetles. Tem idéia do que é isso?

Em Furt eu experimentei todas a magia do amor fraterno, família e aceitação de ser GAY; uma sensação incrível que sabemos que muitos nunca tiveram por não serem aceitos como são, pelos seus afins. E ainda cheguei ao final do episódio com um sorriso no rosto, lagrimas nos olhos e feliz da vida e ansioso para assistir o próximo capitulo (gostinho de “quero mais”).

Tem como não amar Glee?

Acredito que o ápice do episodio Furt, é quando Finn canta e DANÇA com Kurt na festa... Foi de uma carga emocional incrível e belíssima, mesmo que Finn tenha demorado tanto para aceitar Kurt como irmão. Eu até chorei, e gritei de emoção... Gente não tem como descrever. Tem que assistir o capitula todo.



Vocês podem até ver os pedaços do episódio que acabei publicando, mas para melhor sentir o que estou falando, só assistindo todo o capitulo. Para que isso seja possível clique AQUI e baixe este capítulo e emocione-se.

Abraço a todos

BY ME S2

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